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Página - Pesquisa revela que 42% dos brasileiros consideram o acesso gratuito à cultura uma prioridade para os governantes

Pesquisa revela que 42% dos brasileiros consideram o acesso gratuito à cultura uma prioridade para os governantes

Página Pesquisa revela que 42% dos brasileiros consideram o acesso gratuito à cultura uma prioridade para os governantes

Levantamento aponta desigualdades no acesso às atividades culturais e destaca a necessidade de ampliar investimentos em espaços públicos, eventos gratuitos e iniciativas culturais nos municípios.

Ampliar o acesso gratuito a atividades culturais, como shows, cinema, teatro e exposições, é uma das principais expectativas da população brasileira em relação às políticas públicas. Segundo a 7ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, divulgada nesta quarta-feira (14), 42% dos brasileiros consideram a oferta de atividades culturais gratuitas uma prioridade para os próximos governantes.

Realizado pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha, o levantamento revela que, apesar de o acesso à cultura ser um direito garantido pela Constituição Federal, ainda existem desigualdades significativas entre diferentes grupos sociais e regiões do país.

Os resultados também reforçam a importância da atuação do poder público, especialmente das administrações municipais, na ampliação das oportunidades culturais e na valorização das manifestações artísticas locais.

Desigualdade econômica limita o acesso à cultura

A pesquisa demonstra que as condições socioeconômicas influenciam diretamente a participação da população em atividades culturais.

Entre os brasileiros das classes A e B, 63% frequentaram o cinema nos últimos 12 meses. Já entre as classes D e E, esse percentual foi de apenas 18%, uma diferença de 45 pontos percentuais.

Quando consideradas todas as atividades culturais presenciais, como shows, museus, teatros e cinema, 97% dos entrevistados das classes A e B participaram de pelo menos uma atividade no período analisado. Entre as classes D e E, o índice foi de 82%.

Para a coordenadora do Observatório Fundação Itaú, Ana Maria Cardoso, os dados evidenciam que as desigualdades de acesso não estão relacionadas necessariamente à falta de interesse da população, mas às dificuldades econômicas e estruturais que impedem a participação.

O levantamento também aponta que 33% dos entrevistados afirmam não contar com equipamentos culturais na região onde vivem, demonstrando a necessidade de ampliar a oferta desses espaços.

População defende mais espaços culturais e investimentos no setor

Além da ampliação das atividades gratuitas, os brasileiros apontaram outras medidas consideradas importantes para fortalecer o acesso à cultura.

Segundo a pesquisa, 32% defendem a criação de novos equipamentos públicos culturais, como museus, teatros e cinemas. Outros 28% consideram prioritária a reforma, modernização ou ampliação dos espaços já existentes.

O financiamento e o incentivo à produção cultural independente foram mencionados por 26% dos participantes.

O apoio a iniciativas culturais em favelas, periferias e comunidades tradicionais aparece entre as prioridades de 22% dos entrevistados, enquanto 21% destacam a importância da valorização e da formação de artistas e profissionais da cultura.

Os resultados evidenciam a necessidade de políticas públicas que considerem as características e demandas de cada território, promovendo a descentralização das atividades culturais e ampliando as oportunidades de participação da população.

Custos e insegurança estão entre os principais obstáculos

O levantamento também identificou os fatores que dificultam a participação dos brasileiros em atividades culturais presenciais.

Para 35% dos entrevistados, os gastos com ingressos e deslocamento representam o principal obstáculo. Entre aqueles que possuem despesas com atividades culturais, 46% afirmam gastar até R$ 100 por mês.

A insegurança e a violência aparecem como o segundo fator mais citado, mencionado por 30% dos participantes.

Outras dificuldades incluem a incompatibilidade de horários, apontada por 23%, o cansaço e o desânimo, com 21%, além da distância dos eventos e da lotação dos espaços, ambos com 19%. A falta de transporte foi mencionada por 16%.

A preocupação com a segurança também se manifesta de diferentes formas. O medo de assaltos ou furtos nas proximidades dos eventos foi citado por 47% dos entrevistados, enquanto 43% apontaram a falta de policiamento.

Outro dado relevante é a preocupação com situações de violência contra mulheres e assédio nos espaços culturais, mencionada por 27% dos participantes. Entre as mulheres entrevistadas, esse percentual chega a 38%.

Direito à cultura ainda é desconhecido por parte da população

Embora o acesso à cultura seja assegurado pela Constituição Federal, a pesquisa mostra que nem todos os brasileiros conhecem esse direito.

De acordo com o levantamento, 68% dos entrevistados sabem que o acesso à cultura é um direito constitucional, enquanto 32% desconhecem essa garantia.

Além disso, 27% afirmaram não saber exatamente o que significa ter direito à cultura.

Os resultados demonstram a importância de ampliar não apenas a oferta de atividades culturais, mas também as ações de informação e conscientização sobre os direitos culturais da população.

Municípios têm papel importante na democratização da cultura

Os dados da pesquisa reforçam a relevância das políticas culturais desenvolvidas pelas administrações municipais, especialmente na promoção de atividades gratuitas e na valorização dos artistas e das manifestações culturais locais.

A realização de eventos públicos, o fortalecimento de bibliotecas, centros culturais e espaços comunitários, além do incentivo à produção artística regional, são iniciativas que podem contribuir para reduzir as desigualdades identificadas no levantamento.

Nesse contexto, o planejamento das políticas municipais de cultura deve considerar fatores como acessibilidade, transporte, segurança, infraestrutura e distribuição territorial das atividades.

A ampliação do acesso à cultura também representa uma oportunidade de fortalecer a identidade dos municípios, incentivar a economia criativa e promover a integração social.

Sobre a pesquisa

A 7ª edição da pesquisa Hábitos Culturais foi realizada pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha.

O levantamento ouviu 2.448 pessoas, entre 16 e 65 anos, em 137 municípios brasileiros, no período de 7 a 20 de julho de 2026.

As entrevistas foram realizadas presencialmente, com participantes de diferentes classes sociais e regiões do país.

Os resultados oferecem informações relevantes para o planejamento de políticas públicas e demonstram que democratizar o acesso à cultura continua sendo um dos principais desafios para os gestores públicos brasileiros.

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