Página - Fim da escala 6x1 pode gerar impacto de R$ 6,6 bilhões por ano aos municípios, alerta CNM
Fim da escala 6x1 pode gerar impacto de R$ 6,6 bilhões por ano aos municípios, alerta CNM
Página Fim da escala 6x1 pode gerar impacto de R$ 6,6 bilhões por ano aos municípios, alerta CNM
Proposta aprovada pelo Senado reduz a jornada semanal de trabalho para 40 horas, sem redução salarial. Confederação Nacional de Municípios alerta para o aumento das despesas e os desafios de manutenção dos serviços públicos.
- 15/10/2026 às 11:56
A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, poderá representar um impacto financeiro de aproximadamente R$ 6,6 bilhões por ano para os municípios brasileiros. A estimativa é da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que alerta para os efeitos da medida sobre os orçamentos das prefeituras e a continuidade dos serviços públicos.
A proposta foi aprovada em dois turnos pelo plenário do Senado Federal nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, e, conforme as informações divulgadas pela CNM, aguarda promulgação.
O texto estabelece a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas, sem diminuição salarial, e garante dois dias de descanso por semana, sendo um deles aos domingos.
Embora a mudança represente uma alteração importante nas relações de trabalho, a CNM destaca a necessidade de avaliar seus impactos financeiros sobre as administrações municipais, especialmente em um cenário de restrições orçamentárias e crescimento das despesas públicas.
Custos com serviços terceirizados preocupam os municípios
De acordo com levantamento realizado pela CNM junto a gestores municipais, a redução da jornada poderá elevar significativamente os gastos das prefeituras com pessoal e contratação de serviços.
A estimativa aponta que R$ 5,14 bilhões anuais do impacto financeiro estarão relacionados aos custos com trabalhadores de empresas terceirizadas que prestam serviços às administrações municipais.
Outros R$ 1,49 bilhão por ano correspondem às despesas adicionais estimadas com contratações diretas, elevando o impacto total calculado pela entidade para aproximadamente R$ 6,6 bilhões anuais.
A preocupação está relacionada à necessidade de reorganizar equipes, ampliar contratações ou ajustar contratos para garantir a continuidade de atividades essenciais, mantendo os níveis de atendimento à população.
CNM alerta para riscos ao equilíbrio fiscal das prefeituras
Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, a mudança poderá agravar a situação financeira dos municípios, que já enfrentam dificuldades para equilibrar receitas e despesas.
Segundo a entidade, a manutenção dos serviços públicos diante da redução da jornada exigirá maior capacidade financeira das administrações, especialmente nos setores que dependem de equipes com atuação contínua.
“Para manter o mesmo nível de prestação dos serviços públicos, as administrações precisarão gastar mais, o que irá agravar o desequilíbrio fiscal”, alertou Ziulkoski.
A Confederação ressalta que a ausência de previsão orçamentária para absorver os novos custos poderá comprometer o planejamento das prefeituras e exigir ajustes na organização dos serviços municipais.
O tema ganha relevância diante das dificuldades fiscais enfrentadas pelos municípios e da necessidade de garantir recursos suficientes para o funcionamento da administração pública.
Entenda as mudanças previstas na PEC
A proposta estabelece o fim da escala tradicional de seis dias de trabalho para um dia de descanso, conhecida como 6x1.
Pelo texto aprovado no Senado, os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso semanal, sendo um deles obrigatoriamente aos domingos, além da redução gradual da jornada de trabalho.
A transição está prevista em duas etapas:
Primeira etapa: redução da jornada semanal para 42 horas, dois dias após a publicação da emenda constitucional.
Segunda etapa: redução para 40 horas semanais, um ano e dois meses após a publicação.
A proposta também assegura a manutenção dos salários durante a implementação das novas regras.
Impactos já vinham sendo discutidos pelo movimento municipalista
A CNM acompanha os debates relacionados ao fim da escala 6x1 e vem alertando sobre os possíveis reflexos da medida nas finanças municipais.
O assunto esteve entre os temas discutidos durante a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, ocasião em que foram apresentados os desafios enfrentados pelas administrações locais diante de propostas que podem ampliar as despesas obrigatórias.
Em maio de 2026, a Confederação também divulgou um estudo sobre os impactos financeiros da redução da jornada, destacando a necessidade de considerar a realidade fiscal dos municípios na elaboração de mudanças na legislação trabalhista.
Planejamento financeiro e continuidade dos serviços públicos
A possibilidade de aumento das despesas exige atenção dos gestores municipais, especialmente quanto ao planejamento orçamentário, à gestão de pessoal e aos contratos de prestação de serviços.
A discussão envolve o desafio de conciliar a melhoria das condições de trabalho com a sustentabilidade financeira das administrações públicas e a garantia de atendimento à população.
A Federação Goiana de Municípios (FGM) destaca a importância de acompanhar os desdobramentos da proposta e seus possíveis reflexos sobre as finanças municipais, considerando as particularidades de cada administração.
O debate reforça a necessidade de avaliar os impactos financeiros de medidas nacionais que geram novas obrigações aos municípios, preservando a capacidade de investimento e a continuidade dos serviços públicos essenciais.
Acesse o estudo da CNM:
https://cnm.org.br/biblioteca
Notícias para Você
Notícias para Você
15 de Outubro de 2026 Finanças
Prazo para adesão ao Simples Nacional termina nesta quinta-feira (15); municípios devem orientar contribuintes…
As microempresas e empresas de pequeno porte devem ficar atentas ao prazo para solicitar a opção pelo Simples Nacional para o ano-calendário de 2027, que termina nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026. A orientação foi divulgada pela Receita Federal do B…
15 de Outubro de 2026 Desenvolvimento Social
CNM pede flexibilização das regras para utilização de recursos remanescentes da Assistência Social
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) encaminhou um ofício ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), solicitando a flexibilização das regras para utilização d…